A lei geral de causa e efeito e a lei da causalidade



Hoje posto um tema excelente que foi estudado na reunião do meu bloco Tema: a diferença entre a “lei geral de causa e efeito” e a “lei da causalidade” exposta por Nitiren Daishonin.


O que diz o Gosho


Comecemos com uma famosa frase do escrito “Carta de Sado”: “Aquele que escala a montanha, mais cedo ou mais tarde, terá de descê-la. Aquele que despreza o outro, será desprezado […]. Essa é a lei geral de causa e efeito”. (Os Escritos de Nitiren Daishonin, vol. 5, pág. 25.)


No trecho acima, por meio de raciocínio compreensível a todos, o Buda Nitiren Daishonin demonstra a visão convencional da lei de causa e efeito. Mas, continuando a leitura do mesmo Escrito, no trecho seguinte encontraremos uma frase intrigante: “No entanto, meus sofrimentos não se atribuem a essa lei causal”. (Ibidem, pág. 26.)



Sobre os dois trechos acima, o presidente Ikeda explana: “As ideias budistas convencionais sobre a retribuição cármica, segundo as quais nossos efeitos negativos do presente são o resultado de nossas más causas anteriores, e os efeitos positivos são o produto das boas causas realizadas no passado, na realidade não constituem um princípio de transformação cármica”. (Terceira Civilização, edição no 502, junho de 2010, pág. 49.)


Por que?


“Isso porque para se erradicar todas as causas cometidas no passado, uma a uma, seria preciso um tempo inconcebivelmente longo.” (Ibidem.)



“Em ‘Carta de Sado’, Daishonin salienta que essa visão sobre a retribuição cármica se baseia na ‘lei geral de causa e efeito’. De modo implícito, ele diz que o seu budismo não se baseia nessa causalidade geral.” (Ibidem.)


Um choque de realidade


“Em contraste, a causalidade geral dos ensinos pré-Sutra de Lótus opera com base no princípio da não-simultaneidade de causa e efeito. Como a eliminação de incontáveis faltas cometidas em existências passadas levaria um tempo inconcebível, a transformação do carma nesta existência acabaria sendo algo impossível.” (Ibidem, pág. 52.)


O Budismo Nitiren não é pessimista


A intenção de Nitiren ao explicar sobre a lei de causa e efeito e o carma é apresentar um meio prático de transformação da nossa realidade por meio da manifestação do estado de Buda. Todos têm o estado de Buda; a questão é como manifestá-lo na vida real, e o mais importante: agora!


Vamos raciocinar


O objetivo é transformar. Se a “lei geral de causa e efeito” for a base da nossa vida, a transformação é impossível. Exatamente por isso, ela não corresponde à visão de Nitiren Daishonin porque só conduz a um pensamento pessimista e não transforma. Então, o que fazer?!


A causalidade da Lei Mística


A resposta de Nitiren é a causalidade da Lei Mística. O presidente Ikeda explica: “A ‘causalidade para atingir o estado de Buda’ implica eliminar o mal fundamental e manifestar com vigor o estado de Buda — a nona cons ciência — que existe na essência da vida. Esta é a ‘causalidade da Lei Mística’ implícita no Sutra de Lótus; ou seja, no Nam-myoho-rengue-kyo”. (Ibidem).


Como funciona a causa e efeito da Lei Mística?


“Mesmo que neste momento estejamos sofrendo devido a alguma retribuição cármica, se nos basearmos na causalidade da Lei Mística, manifestamos imediatamente o vasto estado de vida de Buda. Isso quer dizer que só podemos transformar realmente nosso carma por meio da Lei Mística da simultaneidade de causa e efeito.” (Ibidem.)



Como viver essa lei na prática?


A maneira de viver essa lei não é outra senão a prática do Chakubuku. O presidente Ikeda continua: “Nitiren esclarece o tipo de prática budista que nos possibilita realizar causas positivas fundamentais. Essa prática não é outra senão o Chakubuku — a refutação do errôneo e a revelação do verdadeiro — especificamente expressa como ‘denunciar os inimigos do Sutra de Lótus’, um ato que incorpora a causalidade da Lei Mística e que nos permite transformar o carma.” (Ibidem.)


Chakubuku


“‘Se Nitiren está fazendo a mesma causa que o Bodhisattva Jamais Desprezar, como seria possível ele não se tornar um buda igual a Sakyamuni?’, pergunta a si mesmo Daishonin pelo bem dos discípulos. A frase indica o princípio da unicidade de mestre e discípulo. Em outras palavras, nós também podemos, infalivelmente, atingir o estado de Buda se seguirmos o exemplo de Daishonin e triunfarmos sobre nossas adversidades, e mantivermos firmemente a prática do Chakubuku: refutar o errôneo e revelar o verdadeiro.” (Ibidem.)


Chakubuku – II


A prática do Chakubuku é a ação de realizar o Juramento Seigan de um Bodhisattva da Terra. Ou seja, cumprir a missão de lutar em prol da felicidade de outras pessoas. E, justamente esta ação corresponde a viver com base na “causalidade da Lei Mística”.




Causalidade de mestre e discípulo


O presidente Ikeda avança no tema e apresenta a “causalidade de mestre e discípulo” — ter a mesma conduta que o Mestre — como a chave para a transformação total do carma.


Causalidade de mestre e discípulo – II


“É natural que nossa vida pareça bem diferente da vida de um grande predecessor como o Buda Nitiren Daishonin. Isso é perfeitamente lógico já que somos indivíduos diferentes, cada um com as próprias circunstâncias, personalidade, capacidade e subjetividade. No entanto, se fizermos o mesmo tipo de causa que os corajosos devotos do Sutra de Lótus do passado realizaram, ou seja, se mantivermos o mesmo curso de ação e a mesma prática que eles, poderemos obter os mesmos efeitos ou resultados. Esta é uma forma de ver a causalidade baseada no caminho do mestre e do discípulo.” (Ibidem.)


A revolução do budismo


A grande “sacada”, ou a grande revolução do budismo, é ter a mesma conduta do Mestre. Mas como fazer isso?


Conclusão


O presidente Ikeda ensina: “Embora os discípulos se sintam totalmente diferentes do mestre em termos de sabedoria e de benevolência, enquanto mantiverem o mesmo compromisso, os mesmos ideais e esforços abnegados que o mestre poderão, sem falta, desfrutar um estado de vida tão sublime e vasto quanto o do mestre. Esse é o caminho para atingir a iluminação com base na unicidade de mestre e discípulo que pulsa no Sutra de Lótus.” (Ibidem).

A realização de um sonho – Um roteiro para desenvolver metas claras



O post de hoje é uma matéria que foi apresentada numa reunião de bloco, que reproduzo aqui. Bom proveito!

A realização de um sonho nasce de um planejamento adequado.

Não existe nada mais agradável que o sabor da conquista e da vitória, porém não há comemoração sem estratégias para atingir os objetivos.
No Budismo de Nitiren Daishonin é muito comum ouvir dos praticantes a necessidade de se traçar metas claras fundamentadas na recitação do Nam-myoho-rengue-kyo para se conquistar a felicidade e desfrutar dos benefícios da pratica da fé.
No mercado profissional, o contexto não difere, pois se não há projetos não há construção.
E não há um termo que expresse melhor a fórmula do sucesso do que a palavra aprimoramento. Unindo as duas fórmulas, tanto do desenvolvimento pessoal como do profissional, deparamos com outro conceito, muito mais amplo, que é o planejamento de uma vida, na qual objetivos e sucesso profissional caminham juntos na direção dos sonhos.


Uma folha em branco, uma caneta e os traços dos sonhos.
Mesmo os projetos mais complexos iniciam com um simples desejo escrito em uma folha em branco.
Segundo os especialistas em recursos humanos, para todos os acontecimentos importantes na vida existe um documento escrito. Assim surgiram as certidões de nascimento, casamento e até mesmo a de óbito para registrar datas.
As conquistas também são sempre documentadas em escrituras na compra e venda de imóveis, na aquisição de veículos e até mesmo na compra de de aparelhos eletrônico, o cliente sai com um certificado atestando que o produto lhe pertence. No entanto, quando o assunto é planejamento de vida ouve-se sempre uma informação negativa sobre sua existência.
Infelizmente, a cada dez pessoas apenas uma responde que possui metas claras para a sua vida e muitas relatam que as metas estão todas arquivadas em sua cabeça.



Os especialistas vão mais longe e declaram: “Se estiver somente na cabeça, não é um registro, não é um documento, e não vai ajudá-lo a obter sucesso.
Pouquíssimas pessoas elaboram o seu planejamento de metas com a devida clareza do que se pretende para o dia seguinte, quanto mais para daqui a um, cinco ou dez anos. Ansiar pelo sucesso sem antes estabelecer uma meta definida é o mesmo que procurar uma agulha num palheiro.
Aliás, é pior do que isso; é o mesmo que procurar a agulha sem mesmo saber como ela é e, ao encontrá-la, não saber reconhecê-la”, declara Yasushi Arita, consultor de treinamento em recursos humanos.
Há uma comparação do desenvolvimento do ser humano com a estrutura das empresas, visando a administração pessoal e familiar.


Dificilmente uma pessoa admite a possibilidade de uma empresa não ter um planejamento para o seu desenvolvimento.
Isso é considerado incorreto e inadmissível.
Para uma empresa, é o mesmo que assinar a falência de todo um investimento e atestar a falta de tino profissional e empresarial de seus dirigentes, é a porta aberta para ser esmagado pelo concorrente.
Na vida de qualquer pessoa, o planejamento de metas e objetivos tem o mesmo peso, aliás, é ainda mais importante, porque disso depende o sucesso em todos os âmbitos de sua vida.
Quem não tem metas e objetivos não sabe onde quer chegar, está à deriva, sem controlar o próprio leme de sua vida.


Assim como as empresas, para alcançar o sucesso, a realização pessoal e profissional, é preciso ter um planejamento de metas, com datas, prazos, ações e especificações detalhadas para tudo o que se deseja alcançar.
O sucesso é decorrência de um planejamento, um documento escrito, detalhado, palpável e possível de ser visualizado, idealizado e vislumbrado, que consistem em várias etapas.


Roteiro para desenvolver metas claras


1º) Definir o que deseja realizar — Ter convicção do seu desejo.


2º) Traçar claramente o prazo em que deseja alcançar a meta — Isso significa determinar dia, mês e ano. Nesta etapa você definirá claramente a data para alcançar sua meta. Dentro do seu planejamento, é indispensável programar alguns planos para checar o grau de evolução.


3º) Escrever, com clareza e precisão, qual é sua meta, quanto tempo levará para ser atingida, a data de início e o que você vai fazer para alcançá-la. O resultado que você obtiver será diretamente proporcional ao que você fizer.


4º) Ler em voz alta o que escreveu — A regra diz ler duas vezes por dia, no mínimo, de manhã e à noite. Sempre que fizer a leitura das metas, deve-se ter o pensamento de que já as concretizou.
O seu subconsciente começará a trabalhar no sentido de concretizá-las. Os especialistas indicam que o ideal é ler 21 vezes por dia durante 21 dias para gravar no inconsciente e subconsciente.


5º) Despertar um desejo ardente — É necessário que a concretização de suas metas, sonhos e objetivos seja tão vital como o ar que você respira. Se você não respirar, morre. Portanto, esse mesmo desejo de viver é que temos que ter nesta etapa.


6º) Ação — Esta é a etapa mais importante. Consiste em partir para a ação imediatamente! Talvez você esteja pensando que agora não é o momento oportuno, que ainda não está preparado e que a executará, em breve, se tudo correr bem. É necessário que você saiba que o sucesso não é algo oportuno, e que mesmo as coisas inoportunas têm o seu devido valor. Portanto, comece hoje mesmo, pois se você não agir, nada acontece.

Imagine diariamente as suas ações!




A imaginação é uma propriedade realizadora e fantástica que todos têm. Cada uma das etapas para a elaboração do planejamento de metas requer a devida atenção para que o resultado seja de conquistas e realizações. Basta empenho e coragem para expor o que você realmente deseja.
As dificuldades na elaboração desse documento valem a atenção para serem superadas, pois é por meio desse valioso documento que se conquistará o sucesso em todos os âmbitos da vida.

Fonte: Brasil Seikyo 11 de Dezembro de 2004, edição nº 1775