Natura vai desacelerar investimento em infraestrutura

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Natura vai desacelerar investimento em infraestrutura

Após expansão de 80% dos gastos com ampliação e melhoria da capacidade produtiva, empresá focará na aceleração das vendas

Beatriz Ferrari

Natura: expansão rápida demais trouxe problemas (Silvia Zamboni)

A Natura não deve investir pesadamente em infraestrutura nos próximos anos. Após um crescimento de 80% dos gastos em 2011 com ampliação e melhoria da capacidade produtiva, a empresa deve focar na aceleração das vendas – que deixaram a desejar no acumulado do ano. “Investimos no aumento de capacidade necessário para dar conta do crescimento da demanda. Agora é hora de botar o pé no acelerador, sem expansão de infraestrutura”, explica José Vicente Marino, vice-presidente de Negócios da empresa.

Marino assume que as vendas desapontaram neste ano, mas espera que o quadro seja mais positivo no ano que vem em função, principalmente, da elevação da renda que será proporcionada pelo aumento previsto de 14% do salário mínimo e pelas eleições municipais, que injetarão mais dinheiro na economia.

Bolsa – A Natura liderou as perdas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quinta-feira em função dos resultados fracos divulgados no dia anterior. O lucro líquido cresceu 5,2% no terceiro trimestre, para 201,6 milhões de reais. No acumulado do ano, a expansão é de apenas 2,9%, muito distante dos 8,8% de avanço em 2010 ante 2009.

Marino avalia que parte da explicação para o resultado aquém do desejado reside na própria desaceleração da economia; parte se deve à diluição de participação no mercado com a entrada de novos concorrentes; e outra parte por conta dos tropeços da própria empresa ao tentar se tornar maior e mais eficiente. “Nós subavaliamos a complexidade de fazer tudo ao mesmo tempo”, explica.

Desafios – Somente em 2011, a Natura abriu três centros de distribuição – em Minas Gerais, em Pernambuco e no Paraná (este último inaugurado nesta quarta-feira) – e implantou, há dois meses, um novo sistema de gerenciamento de captação e faturamento dos pedidos. No começo do ano, a empresa iniciou produção na Colômbia, no México e na Argentina. A expansão da estrutura operacional dará fôlego, segundo o executivo, para a companhia competir com os novos concorrentes que desejam um pedaço do mercado brasileiro, como a peruana Belcorp, que vai investir 50 milhões de reais no Brasil em 2011 e 2012, e a Eudora, marca de vendas diretas da Boticário.

A própria empresa admite que não conseguiu lidar com tantos desafios ao mesmo tempo. “A implementação conjunta de projetos que visam promover evoluções importantes nos sistemas de captação e faturamento de pedidos e na melhoria em nosso modelo logístico provocaram uma significativa instabilidade nos sistemas e processos transacionais, o que prejudicou a qualidade dos nossos serviços e causou um aumento no volume de produtos não disponíveis para venda”, comenta a Natura no relatório de resultados do terceiro trimestre.

A companhia espera registrar impactos negativos da reformulação dos sistemas ainda no quarto trimestre. Nesta sexta-feira, o diretor-presidente da Natura, Alessandro Carlucci, disse que a instabilidade está sob controle e será solucionada até o final do ano.

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